Competências Socioemocionais na Educação Integração entre o Sentir e o Aprender


Fortalecer as habilidades sociais e as emoções na Educação

Muitos são os desafios dos educadores e profissionais comprometidos com a evolução humana. Dentre todos eles, existe um que, em minha opinião, é um dos mais importantes em todo o processo educacional: o desafio do desenvolvimento humano como um todo. Percebo muitos sistemas educacionais que oferecem uma vasta preparação ao aluno para que ele passe no vestibular, tenha conhecimentos técnicos e gerais sobre as diversas matérias ao longo dos anos, mas poucos que também se preocupam com o desenvolvimento humano dos educandos. A consequência disso é a formação de muitas pessoas inseguras, com pouco poder de empatia, perdidas em seus projetos pessoais, com baixa autoestima, muitas vezes individualistas e egoístas, infelizes e incapazes de serem donas dos seus próprios destinos.
Observe que, a personalidade de um indivíduo é formada até os seus 19 anos, sendo um processo dividido em sete estágios emocionais. O primeiro estágio ocorre do nascimento até os 6 meses de vida da criança e nele o ser humano simplesmente existe – é o estágio Ser. Dos 6 aos 18 meses corresponde ao período do estágio Fazer, do qual tudo é novo para a criança e se desenvolve fazendo, a curiosidade fica bem aguçada e é o momento de experimentar as coisas, cores, sons e tudo aquilo que estiver ao alcance da criança. O próximo estágio é o do Pensar e acontece dos 18 meses aos 3 anos, correspondendo a uma fase de autoafirmação, da qual precisa receber mensagens que transmitam permissão para crescer e ser ela mesma. Dos 3 aos 6 anos é o momento da Identidade, onde a criança quer descobrir quem ela é e experimentar relacionamentos sociais. Nesta etapa é fundamental que ela receba mensagens que transmitam proteção e incentivo para ter sua própria visão de mundo e testar sua força. O estágio da habilidade é vivenciado dos 6 aos 12 anos e permite que a criança aprenda novas habilidades e decida quais valores são coerentes com suas metas, sendo necessário receber mensagens que as incentivem e permitem que sejam como é e se sintam capaz. Dos 13 aos 18 anos o jovem experimenta mudanças corporais em todos os níveis (físico, mental e energético), sendo o momento da Regeneração – irá desenvolver sua filosofia pessoal e encontrará um novo lugar no mundo adulto. Nesta fase, é importantíssimo que ele receba mensagens que transmitam permissão para reconhecer os próprios pensamentos, as ideias, os sentimentos e valores. E, a partir dos 19 anos, inicia o momento de reciclagem, já que o indivíduo completou seu primeiro ciclo de desenvolvimento e sua personalidade está formada. O modo como ele passa por todas as outras etapas é que vai definir sua maneira de pensar, sua percepção de si mesmo e do mundo ao seu redor, suas crenças e valores.
Perceba que em quase todas essas etapas o individuo encontra-se no período da escola e como é fundamental o educador estar apto para o desenvolvimento humano em todas as esferas de seus alunos.
Ou seja, é na educação que está a base do desenvolvimento de qualquer ser humano e na atual sociedade os educadores necessitam desenvolver novas competências e/ou aprimorá-las. Afinal, os novos processos de produção exigem, além do conhecimento técnico, a valorização dos saberes elaborados na prática que dependem da flexibilidade e da reconversão constante e, para isso, faz-se necessário atributos como autonomia, responsabilidade, capacidade de comunicação e polivalência que favorecem a prática da resolução de problemas tão importantes para o exercício pleno da cidadania.
Todos esses atributos são encontrados nas competências socioemocionais, que estão divididas em quatro competências:
– Pessoais: autoestima, autoconfiança, inteligência emocional, autoeficácia, responsabilidades, autoliderança, entre outras;
– Sociais: comunicação, relacionamentos (pessoas, profissionais e sociais), colaboração, valores humanos, trabalhos em equipe, respeito à diversidade, entre outras;
– Cognitivas: agilidade de pensamento, reflexão, raciocínio e pensamento crítico, resolução de problemas, pensamentos abstratos, poder de apropriar-se do conhecimento, entre outras;
– Produtivas: criatividade, pró atividade, determinação, poder de inovação, iniciativa, entre outras.
Todos esses saberes, quando associados aos outros conhecimentos técnicos e gerais sobre uma determinada matéria, oferecem o diferencial que cada pessoa pode obter: o seu poder de ser único e ser o criador de sua realidade de forma ecológica, que contribuirá com todos ao seu redor, inclusive com o próprio indivíduo. A aprendizagem social e emocional é o processo em que crianças e adultos podem adquirir e aplicar efetivamente os conhecimentos, atitudes e habilidades necessárias para compreender e gerir emoções, definir e atingir metas, sentir e mostrar empatia com os outros, estabelecer e manter relações positivas e tomar decisões responsáveis.

O melhor aprendizado surge no contexto das relações interpessoais, do diálogo, do intercâmbio de ideias e da cooperação, que tornam a aprendizagem desafiadora, interessante e significativa, com base no respeito recíproco. Desenvolver as habilidades sociais e emocionais dos educadores e dos alunos é fundamental para promover a autoconsciência, a consciência social, o reconhecimento e transformação de crenças limitantes. Dessa forma, é possível tornar o papel das emoções como um fator determinante nos relacionamentos inter e intrapessoais e no aprendizado de forma geral.
Compreender como a mente e o cérebro funcionam e como são criados os pensamentos, emoções, sentimentos e comportamentos possibilita aos educadores as condições para otimizar os processos de formação pedagógica e de desenvolvimento pessoal mediante ressignificação dos conceitos e práticas pedagógicas.

Acredito que fazendo uma gestão escolar mais participativa, que consiga ir além do ensino técnico e geral de algumas matérias, ensinando e valorizando todas essas competências socioemocionais, vamos desenvolver indivíduos mais completos, íntegros e, de fato, prontos para fazerem a diferença no mundo. É essa qualidade na educação que irá refletir na sociedade que desejamos para os nossos filhos, netos e todas as outras futuras gerações.

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Eduardo Shinyashiki
Eduardo Shinyashiki é palestrante, consultor organizacional, escritor e especialista em desenvolvimento das Competências de Liderança e Preparação de Equipes. Presidente da Sociedade Cre Ser Treinamentos, colabora periodicamente com artigos para revistas e jornais. Autor dos livros: Viva como Você Quer Viver, A Vida é Um Milagre e Transforme seus Sonhos em Vida - Editora Gente. Para mais informações, acesse www.edushin.com.br.

sobre Eduardo Shinyashiki

Eduardo Shinyashiki é palestrante, consultor organizacional, escritor e especialista em desenvolvimento das Competências de Liderança e Preparação de Equipes. Presidente da Sociedade Cre Ser Treinamentos, colabora periodicamente com artigos para revistas e jornais. Autor dos livros: Viva como Você Quer Viver, A Vida é Um Milagre e Transforme seus Sonhos em Vida - Editora Gente. Para mais informações, acesse www.edushin.com.br.

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