Como lidar com os conflitos?


Ao longo da vida, nos deparamos com diversas situações difíceis que nascem da convivência com as pessoas, como o estresse no trabalho e a crise no relacionamento. Esses momentos podem gerar diferenças entre valores, crenças, interesses e objetivos e tornam-se conflitos quando cada indivíduo envolvido tenta impor o seu ponto de vista, sem ouvir, sem se interessar e sem respeitar a outra parte.

Entrar em uma discussão com atitudes mentais como “eu ganho, você perde”, “eu tenho razão, você está errado” e “eu falo, você fica calado” claramente não ajuda a desenvolver relações positivas. Ao contrário, impacta na ampliação dos problemas. Quando não sabemos como enfrentar os conflitos, porque essas competências para geri-los não são ensinadas, corremos o risco de iniciar uma batalha para impor a nossa própria imagem e a ideia defendida. Isso desrespeita o interlocutor e torna a interação autoritária e destrutiva, sem que se chegue satisfatoriamente ao resultado desejado.

Para entender melhor o que o conflito representa, vamos analisar a origem da palavra: no latim, “confligere” é composto por “com” e “fligere”, que significa “combater, estar em desavença, golpear, atacar” – ou seja, evoca um conceito negativo de guerra, luta, disputa e agressividade. Porém, o termo também possui outro significado, bem mais positivo, de “fazer encontrar”.

Ao avaliar esse último ponto de vista, podemos considerar que é, sim, possível se aproximar positivamente de um conflito, respeitar as diferenças, as diversidades e transformar o momento em um recurso, em vez de um confronto. Assim, é possível criar uma evolução, uma mudança, a criatividade e a abertura ao novo… tudo depende das estratégias utilizadas para resolver os problemas.

Mas será que essas estratégias são construtivas e de cooperação para, assim, se chegar a uma solução compartilhada e de compromisso mútuo? Ou nos envolvemos pela raiva, pelo julgamento, egoísmo e individualismo? Como solucionar os conflitos? O primeiro passo é entender que o seu ponto de vista é diferente do outro. Cada ser humano interpreta a realidade conforme suas crenças, experiências, educação e convicção. Então, lembre-se: antes de querer ser compreendido, compreenda o outro.

A próxima etapa é avaliar os três pontos de vista: a primeira posição é referente à própria realidade, aos próprios sentimentos, valores, às crenças e como enxergar o mundo. É “como eu lido com o conflito”; a segunda posição refere-se à perspectiva da outra pessoa, a “como o outro percebe essa situação”; por fim, a terceira posição é a do observador, é o olhar objetivo da interação entre a primeira e a segunda posições. Nesta fase, é preciso esquecer por um momento o que você quer e olhar para a situação de forma mais distanciada, sem julgamentos, da forma mais neutra e emotiva possível.

Após entender as três ações mencionadas acima, é necessário compreender as posturas corporais do outro. Como ele se comunica? Identificar a forma de comunicação permite uma ampla e correta avaliação da situação, para reorganizar ou corrigir os comportamentos, redirecionar ações, solucionar conflitos e chegar a um resultado desejado. Treine a forma de olhar a vida e as situações de pontos de vista diferentes, para desenvolver uma visão mais aberta e observar os problemas de diferentes perspectivas e ângulos.

Quando olhamos o mundo com novos olhos, mudamos velhos julgamentos, enriquecemos o nosso cérebro com novas informações e experiências, a mente se abre e, assim, os comportamentos automáticos e repetitivos se transformam.

Na resolução de conflitos, também é fundamental desenvolver a capacidade de lidar com as emoções, tanto as próprias quanto as dos outros, de maneira apropriada, sem se deixar dominar por elas, mantendo o autocontrole e o equilíbrio. A competência emocional, a maturidade, o conhecimento das próprias emoções, a capacidade da gestão das emoções, a percepção de como e quando elas acontecem em nossa vida impactam na autoconfiança, na autoestima e na autoconsciência.

Algumas questões ajudam a fazer a autoanálise: “quando eu enfrento um conflito, o que é importante para mim?”; “quais são as minhas intenções?”; “eu ataco a outra pessoa, a sua identidade ou o problema?”; “me sinto ameaçado na minha identidade?”; “qual é a minha responsabilidade no conflito?”; “como eu me sinto, o que eu penso, o que eu falo e quais são minhas atitudes?”.

Para controlar as próprias emoções, um recurso simples e eficaz é a respiração. Na sua rotina, faça 20 respirações conectadas – ou seja, ao terminar a inspiração, expire, sem intervalos ou cortes. Respire pelo nariz, de forma mais lenta e profunda que o normal, com expansão torácica e abdominal. Fazer esse exercício de respiração uma ou duas vezes ao dia ajuda a desenvolver uma maior consciência corporal.

Para estar preparado a lidar com os conflitos, permita utilizar e colocar em prática essas atitudes, pois qualquer habilidade precisa ser treinada e repetida para se tornar natural.

Tanto no trabalho como na vida as relações interpessoais pedem, cada vez mais, a capacidade de saber compreender o que é diferente de nós: pessoas, culturas, valores, opiniões, objetivos e as visões do mundo. Nessa perspectiva, a diferença de opiniões é saudável, a diversidade e o confronto de ideias tornam-se um fator motivacional da atividade criadora, um elemento de evolução, de crescimento, onde as diferentes visões de contexto e pontos de vista são valorizadas, permitindo uma ampla gama de ideias e soluções.

O ponto não é evitar o conflito, fechar os olhos para a realidade, mas saber como geri-lo de forma eficaz e produtiva.

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Eduardo Shinyashiki
Eduardo Shinyashiki é palestrante, consultor organizacional, escritor e especialista em desenvolvimento das Competências de Liderança e Preparação de Equipes. Presidente da Sociedade Cre Ser Treinamentos, colabora periodicamente com artigos para revistas e jornais. Autor dos livros: Viva como Você Quer Viver, A Vida é Um Milagre e Transforme seus Sonhos em Vida - Editora Gente. Para mais informações, acesse www.edushin.com.br.

sobre Eduardo Shinyashiki

Eduardo Shinyashiki é palestrante, consultor organizacional, escritor e especialista em desenvolvimento das Competências de Liderança e Preparação de Equipes. Presidente da Sociedade Cre Ser Treinamentos, colabora periodicamente com artigos para revistas e jornais. Autor dos livros: Viva como Você Quer Viver, A Vida é Um Milagre e Transforme seus Sonhos em Vida - Editora Gente. Para mais informações, acesse www.edushin.com.br.

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